A reformulação do Ensino Médio no Brasil ampliou a flexibilidade curricular e trouxe novas possibilidades de personalização da aprendizagem, apresenta Sergio Bento de Araujo, empresário especialista em educação. Ao mesmo tempo, impôs às escolas o desafio de transformar escolhas formais em trajetórias educacionais consistentes, capazes de preparar o estudante para a continuidade dos estudos, o mundo do trabalho e a vida em sociedade.
O Novo Ensino Médio exige que a escola atue como orientadora de percurso. Não se trata apenas de ofertar disciplinas, mas de estruturar experiências formativas que façam sentido ao longo do tempo, evitando fragmentação curricular e decisões precipitadas por parte dos estudantes. Neste artigo, convidamos você a compreender como a organização pedagógica, a orientação contínua e o planejamento dos itinerários formativos são fundamentais para garantir escolhas mais conscientes, trajetórias coerentes e um processo educativo alinhado às diretrizes do Novo Ensino Médio.
O desafio da escolha com responsabilidade
A ampliação das possibilidades de escolha é um dos pilares do Novo Ensino Médio. Contudo, escolher pressupõe informação, orientação e maturidade. Sem esses elementos, a flexibilidade pode se converter em dispersão, com impactos diretos na formação acadêmica.

Nesse contexto, a escola assume papel central ao orientar escolhas alinhadas ao perfil, às habilidades e aos objetivos do aluno. Processos de escuta, acompanhamento e aconselhamento educacional tornam-se essenciais para que a autonomia seja exercida com responsabilidade. Segundo Sergio Bento de Araujo, a instituição precisa oferecer critérios claros, evitando que a decisão seja guiada apenas por afinidade momentânea ou facilidade percebida.
A escolha consciente fortalece o engajamento e reduz a evasão, além de criar bases mais sólidas para o desenvolvimento das competências previstas na formação geral básica.
Itinerários formativos: Coerência pedagógica e integração curricular
Os itinerários formativos ganham efetividade quando estruturados com coerência pedagógica. A simples soma de disciplinas não garante aprofundamento nem conexão com o projeto educacional da escola. É fundamental que os itinerários dialoguem com as áreas do conhecimento, especialmente com as competências de exatas, tecnologia e linguagem científica.
Sergio Bento de Araujo elucida que os itinerários bem-sucedidos são aqueles que integram teoria e prática por meio de projetos, desafios e atividades interdisciplinares. Robótica, feiras tecnológicas, projetos de sustentabilidade e atividades esportivas com base científica são exemplos de estratégias que conectam conteúdo curricular à aplicação concreta.
Essa integração evita a fragmentação do aprendizado e contribui para uma formação mais consistente, alinhada às demandas contemporâneas.
Organização escolar, professores e tempo pedagógico
A implementação do Novo Ensino Médio exige reorganização da estrutura escolar. Tempo pedagógico, formação docente e infraestrutura precisam estar alinhados ao novo modelo. Professores passam a atuar de forma mais colaborativa, e a escola precisa criar espaços de planejamento integrado.
Investir na formação continuada dos educadores é um fator decisivo. O professor deixa de ser apenas transmissor de conteúdo e passa a atuar como orientador de projetos, mediador de aprendizagem e articulador de competências. Esse movimento requer apoio institucional e clareza de objetivos.
A organização do tempo também precisa refletir essa mudança, informa o empresário Sergio Bento de Araujo. Aulas excessivamente fragmentadas dificultam projetos de maior profundidade. A escola que reorganiza sua rotina pedagógica cria condições reais para o desenvolvimento das competências previstas na legislação.
Projetos, prática e preparação para decisões futuras
O Novo Ensino Médio amplia o espaço para metodologias ativas, nas quais o aluno participa de forma mais protagonista. Projetos integradores, feiras culturais e tecnológicas e atividades esportivas com uso de dados e tecnologia tornam-se instrumentos relevantes de aprendizagem e avaliação.
Nesse sentido, Sergio Bento de Araujo considera e conclui que o foco deve ser a preparação do estudante para tomar decisões informadas. Mais do que memorizar conteúdos, o aluno aprende a planejar, resolver problemas, trabalhar em equipe e lidar com desafios reais. Essas competências são essenciais tanto para a vida acadêmica quanto profissional.
Por fim, quando a escola organiza o Ensino Médio como uma trajetória progressiva, com orientação, prática e reflexão, a flexibilidade curricular se transforma em oportunidade de formação integral. O Novo Ensino Médio, nesse sentido, não é apenas uma mudança estrutural, mas uma chance de repensar o papel da escola na construção de futuros possíveis.
Autor: Nilokole Zakharova
