A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou, com apoio da FIFA, a construção de uma estratégia nacional para impulsionar o futebol feminino no Brasil. O trabalho começou em 28 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, durante um workshop que reuniu dirigentes e especialistas das duas entidades para discutir caminhos de desenvolvimento da modalidade.
De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol, o documento deverá organizar objetivos, indicadores e ações voltados ao crescimento do futebol feminino no país. A proposta é criar uma referência de planejamento capaz de orientar diferentes áreas, em vez de concentrar o avanço da modalidade apenas em iniciativas isoladas.
Plano ainda está em fase de construção
A programação prevista pela CBF inclui dois dias de atividades com integrantes das áreas diretiva e técnica da confederação. Também estão previstas visitas ao Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), no Rio de Janeiro, onde treina a equipe feminina do Fluminense, e ao projeto social Daminhas da Bola.
Essas atividades fazem parte do processo de diagnóstico e discussão que antecede a elaboração do documento. Neste momento, ainda não foram divulgadas as metas finais, os prazos de execução ou a distribuição de recursos entre as possíveis frentes de trabalho. Por isso, a estratégia deve ser acompanhada como um plano em desenvolvimento, e não como um conjunto de medidas já implementadas.
A expectativa é que o planejamento possa contemplar temas como formação de atletas, categorias de base, competições, desenvolvimento dos clubes, participação de meninas e profissionalização de funções técnicas e administrativas. A pauta também envolve a criação de indicadores que permitam acompanhar os resultados ao longo do tempo, embora os critérios definitivos ainda não tenham sido apresentados.
Como funciona o apoio da FIFA
A iniciativa brasileira está relacionada ao programa global da FIFA para a elaboração de estratégias nacionais para o futebol feminino. Segundo a entidade, as associações membros devem contar com uma estratégia específica para a modalidade ou estabelecer objetivos claros para o futebol feminino dentro de seus planos gerais de desenvolvimento.
O programa da FIFA prevê apoio técnico, workshops presenciais e a possibilidade de financiamento de até US$ 10 mil para a elaboração e a implementação da estratégia. O modelo busca oferecer suporte às federações nacionais para que o crescimento do futebol feminino seja orientado por prioridades, metas e mecanismos de acompanhamento.
No caso brasileiro, a parceria coloca a CBF dentro de uma agenda internacional de desenvolvimento da modalidade. A participação da FIFA, porém, não substitui a definição das necessidades locais. O documento precisará considerar a estrutura dos clubes, o calendário nacional, a formação de jogadoras e as condições de acesso para meninas em diferentes regiões do país.
Copa do Mundo de 2027 aumenta pressão por legado
A construção da estratégia ocorre a menos de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. A competição terá partidas em oito cidades-sede: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Fortaleza, Salvador e Recife.
Para além da organização dos jogos, o torneio amplia a importância de discutir o legado da competição. A preparação pode ser uma oportunidade para fortalecer clubes, categorias de base, comissões técnicas, profissionais de gestão e a relação das torcedoras e dos torcedores com o futebol feminino. A estratégia nacional poderá ajudar a conectar essas frentes, desde que as metas anunciadas sejam acompanhadas de execução e continuidade.
Em publicação sobre as atividades de desenvolvimento do futebol feminino em setembro de 2026, a FIFA também contextualiza o momento de preparação para a Copa do Mundo no Brasil. O evento coloca o país no centro das atenções da modalidade e cria uma janela para ampliar investimentos, participação e visibilidade, mas seus efeitos dependerão das políticas mantidas depois da competição.
Interesse cresce dentro do futebol brasileiro
O anúncio da CBF e da FIFA acontece em um cenário de maior atenção às competições nacionais. Em 26 de setembro de 2026, São Paulo e Corinthians levaram 21.871 torcedores à Neo Química Arena no jogo de ida da final do Brasileirão Feminino A1. Segundo a CBF, o público foi o recorde das competições nacionais femininas na temporada.
O número funciona como um sinal de interesse, mas não resolve sozinho os desafios estruturais da modalidade. A estratégia para o futebol feminino terá de transformar visibilidade em planejamento, oportunidades e continuidade. Os próximos passos serão a divulgação do documento final e o acompanhamento de suas metas, indicadores e ações, que ainda não foram detalhados pelas entidades.