O presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, anunciou que pretende disputar um último mandato à frente da entidade que administra o futebol europeu. A decisão foi comunicada em 8 de outubro de 2026, durante uma reunião realizada em Berlim com dirigentes das 55 associações nacionais filiadas à confederação. O movimento abre oficialmente o debate sobre a sucessão na UEFA e, ao mesmo tempo, amplia a pressão por mudanças na estrutura de comando da FIFA.
De acordo com o comunicado oficial da UEFA, o pedido para que Čeferin permanecesse no cargo foi apresentado de forma unânime pelas associações europeias. A eleição está prevista para o Congresso Ordinário da UEFA de 22 de abril de 2027, em Astana, no Cazaquistão. O encontro será o 51º congresso ordinário da organização.
Uma candidatura apoiada pelas associações europeias
A confirmação de Čeferin ocorre em um momento de discussões sobre o futuro institucional do futebol internacional. Ao aceitar o pedido das federações, o dirigente sinaliza disposição para continuar conduzindo a UEFA em um ciclo que poderá ser marcado por negociações sobre calendário, competições e distribuição de influência entre as confederações continentais.
A UEFA reúne 55 associações nacionais e ocupa uma posição central nas decisões que afetam o futebol mundial. Embora a eleição ainda dependa do congresso de 2027, o anúncio antecipado permite que as federações europeias organizem sua atuação política e definam prioridades para a próxima etapa da administração do esporte.
O comunicado também informa que uma nova reunião das associações nacionais europeias deverá ocorrer antes de 17 de novembro de 2026. A previsão mantém o tema em evolução e indica que o debate sobre a liderança da UEFA continuará sendo acompanhado antes da votação em Astana.
Propostas de reforma na estrutura da FIFA
Além da candidatura, a reunião em Berlim serviu para apresentar uma agenda de reformas direcionada à FIFA. As associações europeias defenderam uma separação mais clara de responsabilidades entre o Congresso, o Conselho, o Bureau, a presidência e a secretaria-geral da entidade que administra o futebol mundial.
A proposta busca delimitar com maior precisão os poderes de cada órgão. Na avaliação apresentada pela UEFA, a distribuição mais clara de competências poderia fortalecer os mecanismos de controle e reduzir a concentração de decisões em estruturas individuais. O plano também prevê o reforço dos órgãos de ética, auditoria e conformidade.
Outro ponto defendido pelas federações europeias é a criação de limites para decisões unilaterais relacionadas ao calendário internacional e às competições da FIFA. A discussão envolve diretamente a forma como mudanças de datas, torneios e compromissos entre seleções e clubes são estabelecidas no futebol global.
O que está em jogo para o futebol internacional
A movimentação de Čeferin combina dois processos políticos distintos, mas conectados. De um lado, há a busca por continuidade no comando da UEFA. De outro, as associações europeias tentam apresentar uma agenda própria para a governança da FIFA, com ênfase em divisão de poderes, fiscalização e participação institucional.
Essas propostas podem influenciar futuras negociações sobre o calendário internacional, a organização de competições e o relacionamento entre a FIFA e as confederações continentais. A pauta também alcança clubes, seleções e federações nacionais, já que alterações na governança podem afetar a maneira como decisões estratégicas são discutidas e aprovadas.
O anúncio, no entanto, não representa uma mudança imediata nas regras de funcionamento da FIFA nem confirma a aprovação das reformas. O que existe neste momento é uma posição formal das associações europeias, apresentada pela UEFA, e a intenção de continuar debatendo o assunto nas próximas reuniões. A eleição de Čeferin ainda precisará ocorrer no congresso marcado para abril de 2027.
Com a candidatura anunciada e o calendário político definido, a UEFA passa a ocupar um papel ainda mais ativo no debate sobre a administração do futebol mundial. A reunião prevista para antes de 17 de novembro poderá detalhar as próximas etapas da articulação europeia, enquanto o congresso em Astana será o momento decisivo para a continuidade de Čeferin na presidência da entidade.