Brasil

Jogos fora de casa viram obstáculo para Corinthians de Vítor Pereira

A derrota do Corinthians para o América-MG, no último domingo, pela 27ª rodada do Brasileirão, foi a sexta fora de casa na competição. Resultado que deixou o Timão apenas com o décimo melhor aproveitamento como visitante, com 38,1% de pontos ganhos longe de seus domínios.

Na classificação como mandante, em contrapartida, o Corinthians sobe para quarto lugar, com oito vitórias, quatro empates e uma derrota, um aproveitamento de 71,79% (melhor que o do líder).

As dificuldades longe de casa têm sido uma sina do Timão na temporada (contando um jogo com Sylvinho e dois com Fernando Lázaro). São 30 jogos como visitante no ano, com sete vitórias, dez empates e 13 derrotas (aproveitamento de 34,4%) – o aproveitamento como mandante é de 71,2%

Também foram jogos como visitantes que quase atrapalharam o caminho do Timão na Copa do Brasil, por exemplo. Contra o Atlético-GO, nas quartas de final, foi derrotado por 2 a 0 no Estádio Antônio Accioly. Na semifinal, contra o Fluminense, conseguiu um empate salvador por 2 a 2 no final da partida. Em casa, o Timão resolveu.

– Eu pensei que no Brasil fosse mais fácil, mas, sinceramente, é difícil. Campeonato Brasileiro é difícil, as equipes são muito diferentes umas das outras, nos colocam problemas completamente diferentes – completou.

Neste primeiro ano de Corinthians (na verdade, sete meses), o treinador corintiano foi vendo a distância para os líderes do Brasileirão aumentando. Tal competição evidencia a importância de ir bem fora de casa.

Desde 2006, com o campeonato em pontos corridos com 20 times, apenas três edições não tiveram o time campeão como o melhor visitante.

Em 2006, o São Paulo foi campeão sendo o segundo melhor visitante e mandante. Em 2009, o Flamengo conquistou sendo o segundo melhor visitante e o terceiro mandante, assim como o Fluminense em 2010.

O que explica?
Alguns fatores podem explicar o aproveitamento do Corinthians fora de casa nesta temporada. Para o comentarista Alexandre Lozetti, os motivos vão além do futebol jogado dentro das quatro linhas.

– A observação de Vitor Pereira sobre como o fator casa é mais influente no Brasil do que na Europa é muito interessante e deveria provocar reflexões. O Corinthians atua num dos melhores – provavelmente o melhor – gramados do país em sua casa. Quando sai, não encontra a mesma qualidade. Na Europa há padrão. As viagens também são mais longas por aqui, mas são para todos os clubes – explicou.

Além disso, para Lozetti, o calendário do futebol brasileiro é outro problema, não só gerando mais problemas para o departamento médico do clube, como também fazendo com que treinadores acabem priorizando os jogos em seus domínios.

– Não se pode ignorar a torcida do Corinthians, que muito raramente pressiona seus atletas durante as partidas. Esse comportamento faz com que haja menos influência da arquibancada nas decisões tomadas pelos jogadores. É uma simbiose como pouco se vê. Ao longo da temporada, o Corinthians mudou muito, por causa de lesões e da idade avançada de alguns protagonistas. Poucos jogos fora de casa foram colocados como prioridade. Para dar um passo adiante em 2023 ou mesmo para competir melhor na final da Copa do Brasil, será preciso um desempenho melhor longe de sua arena.

Agora, porém, o Timão terá uma pausa de dez dias no calendário e volta ao trabalho com dois jogos na Neo Química Arena, onde se sente mais confortável: contra Atlético-GO, em 28 de setembro, e Cuiabá, dia 1º de outubro.

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